home RADAMÉS GNATTALI

 
 
        
        Radamés Gnattali, foi um dos mais prodigiosos músicos Brasileiros. Produziu arranjos para vários cantores, como Orlando Silva e Dick Farney. É dele o célebre arranjo da Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, com o contratema em segundas no naipe de saxofones. Trabalhou com Pixinguinha, Garoto, Rafael Rabello, Bidu Sayão, Eleazar de Carvalho, Tom Jobim, Edu da Gaita, Bola Sete, João Menezes, Chiquinho do Acordeão, Bide, Marçal, Pedro Vidal Ramos, Iberê Gomes Grosso e muitos outros músicos de primeira.
Radamés e Rafael Rabello 
Radamés e Rafael Rabello
        Grande inovador da música popular Brasileira, começou a incluir acordes de Jazz e Música Erudita Contemporânea em arranjos e composições. Foi um dos primeiros compositores de música popular Brasileira a utilizar acordes compostos, como o de 5/4, bi-tonalidade, atonalismo, deixando os melhores instrumentistas da época boquiabertos. É compositor de várias peças orquestrais, (só de concêrtos são 26!)
        Radamés Gnattali nasceu em Porto Alegre em 27/01/1906, filho de Alessandro Gnattali  pianista, fagotista, professor e regente. O jovem Gnattali iniciou seus estudos musicais com sua mãe. Aos 14 anos ingressou na Escola de Belas Artes de Porto Alegre, aperfeiçoando-se com o professor Guilherme Fontainha, que viria se tornar Diretor da Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro. Concluiu seus estudos em 1923 e procurou seguir carreira de concertista.
        Inicou-se profissionalmente tocando no Cine Colombo e dedicando-se a lecionar piano. Na música erudita, sua grande paixão, começou com o Quarteto "Henrique Oswald", seguindo como concertista de piano
        Na década de 30, Radamés trabalhou na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mayrink Veiga, na Gazeta, na Cajuti e na Transmissora. Em 12/09/1936, fundou a Rádio Nacional, intensificando muito sua carreira. Em 1943 estreou, na Rádio Nacional, o programa Um Milhão de Melodias, patrocinado pela Coca-Cola, e foi criada a Orquestra Brasileira de Radamés Gnatalli.  Até essa época não existiam orquestras tocando música brasileira; eram só os regionais e as orquestras de salão. Com a orquestra a sua disposição, Radamés evoluiu muito os arranjos para a música Brasileira. Uma das inovações foi sugerida por  Luciano Perrone, excelente baterista que o iria acompanhar em boa parte de sua carreira. A parte orquestral tradicional do Samba se limitava à melodia e ao acompanhamento harmônico, a parte rítmica ficava por conta da percussão. Perrone sugeriu que Radamés utilizasse a mesma divisão dos tamborins à parte orquestral. Radamés compôs então, com Perrone, o "Rítmo de Samba na Cidade", que ficou sendo o grande marco divisor do jeito de orquestrar o Samba. Radamés permaneceu na Rádio Nacional décadas, sempre inovando.
        Em 1954 estreou o programa "Quando os maestros se encontram", com o objetivo de incentivar jovens talentos musicais. O novato Tom Jobim tremia de medo só de pensar em se sentar ao lado dos grandes mestres : "Aqueles maestros incríveis eram venerados por todos nós, jovens estudantes de música... Eu fui reger uma peça minha - morto de medo! - mas o Radamés ficou por trás me ajudando, sentado no piano, fazendo um sinal ou outro, para que a coisa andasse direito" (Barbosa, Valdinha e Devos, Anne Marie. Radamés Gnattali; o eterno experimentador. RJ: Funarte/Instituto Nacional de Música, 1984 p.60).
        Trabalhou em 1949 como arranjador na Gravadora Continental , onde criou o Quarteto Continental - que virou sexteto - com Luciano Perrone na bateria, João Meneses no violão e guitarra, Vidal no baixo, sua irmã Aída e Chiquinho do Acordeão. Em 1960, o grupo viajou para uma tourné na Europa, integrando a III Caravana Oficial da Música Popular Brasileira.
        Em 1967 entra para o staff da Rede Globo, onde trabalhou como maestro e arranjador durante 11 anos.
        Radamés Gnattali faleceu em 13 de fevereiro de 1988.

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Meu amigo Tom Jobim 
(Radamés Gnattali)
Do disco "Radamés Gnattali Sexteto". 
Radamés-piano; Chiquinho-acordeão; José Menezes-violão e guitarra; Luciano Perrone-bateria; Pedro Vidal-baixo; Laércio de Freitas-piano
 
 
Mais sobre Radamés
(Site da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro)
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